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From: anarctimo
Date: Thu, 26 Apr 2001 12:56:50 +0200
Subject: [tacticalmedialist] san paolo
 





São Paulo, 22 de abril de 2001 no maldito calendário cristão

Questi sono un paio di resoconti a proposito di una giornata di
scontri (lo scorso Venerdì) nella megalopoli brasiliana. Attaccate
una decina di Banche, un McMerda, negozi costosi, prestigiose auto
d'importazione, occupato e imbrattato l'atrio di una società
finanziaria, strappate dalle mani di un tipo del partito comunista
(palesemente fuoriluogo come la sua stessa esistenza) bandiere
nazionali, testè incendiate, bloccata per ore l'Avenida Paulista
(arteria fondamentale, per parlare a uno che sta dall'altra parte,
dicono i paulisti, fai prima a telefonare).
Capocce aperte, arresti (soprattutto tra i PunK, tra i più attivi).
La capoccia e il naso spaccati di cui si parla qui di seguito
appartengono a un mio amico del CAVE, collettivo di ecologisti/e
anarchici/e di Santos (100km da San Paolo) molto attivi nella lotta
contro una centrale termoelettrica in costruzione a "Cubatao".
Ma le capocce aperte le contano anche gli sbirri.
Nel secondo racconto, ad esempio, un compagno, nel divincolarsi
sferra una pietrata in testa a un comandante e "os comandantes não
usam capacete( casco)".
San Paolo, come sottolinea la seconda corrispondenza (anche se in
toni troppo vittimistici) non è Europa o StatiUniti. Le "tropa de
Choque" fanno male e il blando freno della pacificazione occidentale
lascia il posto ai grilletti.
Ma le compagne e i compagni pure loro fanno male...
'Há uma arte punk que intimida os Monstros e isso deve ser ensinado
aos demais manifestantes. Obrigado mais uma vez aos punks!



Que tal, compas!?

Acabei de chegar da manifestação contra a ALCA, realizada nesta tarde
de sexta-feira, em São Paulo.

Se tivesse que resumir em poucas palavras este protesto, definiria
assim: muita violência policial, bombas de gás lacrimogêneo,
corre-corre, pedradas, ferido@s e prisões.

O ato teve início por volta das 12 horas, em frente ao prédio da
Gazeta, na Avenida Paulista, com muita batucada, distribuição de
folhetos, gritos de guerra, apitaços, performances, engolidores de
fogo, faixas, “carnaval”...

Até este momento a manifestação transcorria num clima muito positivo
e alegre. Apesar da forte presença policial, que estava espalhada em
grupinhos por toda a Avenida Paulista.

Segundo um anarco-punk, por volta das 11 horas, quatro punks foram
presos pela policia militar, enquanto dezenas de punks eram
submetidos a uma “geral”.

Na concentração, acredito que o número de manifestantes era superior
a 1000 pessoas, notadamente de jovens, muitas mulheres. A presença
anarquista mais uma vez foi marcante, com suas bandeiras negras e
vermelho/negra, e cânticos. Destaque para a presença dos grupos
punks, anarco-punks, da Resistência Popular, do Coletivo Alternativa
Verde e da Ação Local por Justiça Global, que ao meu ver, eram os
grupos mais organizados no ato.

Por volta das 13 horas, @s manifestantes se dirigiram em passeata
pelo calçadão ao prédio do City Bank. Lá foram pronunciadas algumas
palavras de ordem.

Logo depois, o protesto seguiu para o prédio da  Federação das
Industrias do Estado de São Paulo - FIESP, com alguns manifestantes
invadindo e parando o trânsito de uma mão da Avenida Paulista. A
partir daí a polícia interveio com violência, tentando retirar @s
manifestantes da rua. Muitos manifestantes gritavam: “a rua é do
povo, vamos ocupar”. Neste momento, um grupo de ativista do CAVE
abriu uma faixa de 10 metros contra a instalação da termelétrica em
Cubatão. Rapidamente, e de surpresa, um policial desferiu um golpe de
cacetete certeiro na cabeça de um membro do CAVE, que ficou tonto por
uns segundos. Ele teve a cabeça aberta e o nariz lesionado. Até o
óculos que usava foi quebrado.

Sem se intimidar, alguns manifestantes partiram para cima dos
policiais, se estabelecendo o primeiro conflito, com muita troca de
socos, empurrões e bate-boca.

Na confusão, @s manifestantes invadiram o prédio da FIESP e
derramaram tinta vermelha na entrada do edifício. Além de picharem a
fachada do prédio.

Neste instante, o número de policiais girava em torno de 100 ou 150.
Mas como o número de manifestantes era bem superior, rapidamente a
polícia pediu reforço, para a Tropa de Choque, que estava armada até
os dentes, com helicóptero e um carro lança água.

Com o conflito estabelecido, @s manifestantes caminharam até o prédio
do Banco Central. Por um momento, cerca de 30 minutos, o conflito se
acalmou, com um coronel da PM tentando negociar com @s manifestantes
a liberalização da Avenida Paulista, que já tinha uma de suas mãos
paralizadas há mais de duas horas. Até aí já haviam sido presas
dezenas de pessoas e baixas dos dois lados. Várias pessoas saíram com
cortes na cabeça por golpes da polícia. Mas muitos policiais também.
No conflito, uma menina foi atingida no olho por uma bala de
borracha.

Com a chegada da Tropa de Choque, o conflito voltou de forma ainda
mais violenta. A Avenida Paulista parecia, na verdade foi
transformada num verdadeiro campo de guerra. Sirenes, viaturas, gás
lacrimogêneo, correria, enfrentamentos, pedradas e pessoas feridas
era a marca do ato.

Enquanto centenas de manifestantes “brigavam” com os policiais, mais
algumas centenas iam destruindo com pedradas as fachadas envidraçadas
de vários bancos ali instalados. Foram danificados os Banco Bradesco,
Itaú, Nossa Caixa, Banco Central, um Mc Donald’s, um Bob’s e algumas
lojas da moda. Até alguns automóveis importados que passavam do outro
lado da pista, foram atacados pelos manifestantes.

Um fato curioso que presenciei na manifestação, foi quando um
partidário do PC do B ergueu uma bandeira do Brasil e gritou umas
palavras de ordem contra o FHC e o FMI. Imediatamente um anarquista
tomou a bandeira do sujeito e logo depois queimou-a, juntamente com
uma bandeira dos EUA e um “garrafão” da Coca-Cola, numa fogueira
armada no meio da avenida.

Por volta das 16 horas, @s manifestantes começaram a se dispersar ,
já que o local estava tomado de policiais. Naquele momento existia,
por volta de 60 pessoas presas, a maioria punks, que eram alvo fáceis
de identificar, por sua vestimentas.

Confesso que nunca tinha visto em São Paulo tamanha repressão e
resistência das pessoas. Sinceramente acho que vou ter que levar
alguns dias para me recuperar de tamanha adrenalina e tesão.

Dizem que temos que viver a vida intensamente. Pois é, hoje, vivi
intensamente, resistindo e atacando aqueles que nos humilham
diariamente. Afinal, como diz uma zapatista, “percebi que minha vida
só seria diferente da vida da minha mãe se eu lutasse; eu já não
tinha mais nada a perder”. Acho que é isso, eu não tinha nada a
perder.

O Anarquismo vive! A luta continua!!!

Moésio Rebouças

Agência de Notícias Anarquistas-ANA




--- Moésio Rebouças <mrs.ana@uol.com.br> ha scritto: >
 >
 >
 > Caro Moésio,
 > É com tristeza que lhe escrevo depois de tanto tempo.
 > Faço isso num momento em que amig@s estão feridos e há muita
 > insegurança por parte de todos.
 > Me refiro à truculenta investida da tropa de choque contra os
 > manifestantes na av. Paulista em São Paulo.
 > Ouvi alguns relatos de universitários e vou agora transmiti-los da
 > maneira que posso.
 > O amigo K esteve nas garras dos fardados, ele estava na lihna de
 > frente
 > com escudo de plástico protegendo os demais que corriam e se
 > atropelavam. Resistiu tempo demais antes de correr com os demais e
 > acabou preso quando dois dos fardados pararam de bater e lhe
 > seguraram
 > pelos braços.
 > Levaram-no pro camburão e quando estavam engaiolando ele, outros
 > amigos
 > e amigas investiram contra a tropa possibilitando que ele
 > escapasse.
 > Sem saber como, uma hora ele estava no camburão e um segundo depois
 >
 > estava correndo pela rua sendo chingado por seguranças do unibanco.
 > Um
 > destes guardinhas do unibanco tentou lhe prender a força de
 > pontapés e
 > ele disse que depois de tudo foi este cretino quem mais lhe feriu:
 > esfoliações na canela e no joelho esquerdo.
 > O amigo W não teve a mesma sorte, apanhou muito dos palhaços e se
 > defendeu acertando a cabeça de um comandante com uma pedra ( os
 > comandantes não usam capacete), depois do que ele ficou cercado e
 > sozinho. Apanhou mais do que antes e isso resultou ematomas graves
 > e
 > muitos pontos ( não posso precisar por que ele saiu da cidade e não
 >
 > consegui-mos vê-lo). O amigo W foi levado prá cadeia e junto com
 > outros
 > três apanhou muito num pequeno corredor, neste tempo temos relaato
 > de 2
 > outros manifestantes que sairam de lá direto pro hospital pois os
 > cortes na cabeça nào paravam de sangrar. Uma terrível experiência
 > que
 > resultou num processo medonho e imbecil de "formação de quadrilha".
 > O
 > que é fantasioso porque ele age sempre sozinho, é sujeito de poucos
 >
 > amigos e se há alguma quadrilha é uma quadrilha de 2, ele e a
 > namorada.
 > A amiga Y foi surpreendida pelos meganhas e não pôde correr devido
 > a
 > uma dificuldade de locomoção, ela sofreu um acidente de carro ha um
 > ano
 > e sua perna ainda não está totalmente reabilitada. A amiga Y não
 > coseguiu correr tão bem e muitos monstros acertaram ela com os
 > cacetetes. O pior foi o corte no supercílio, 4 pontos, que deve
 > deixar
 > uma marca profunda da violência policial pro resto de sua vida. Os
 > únicos a lhe ajudarem enfrentando os policiais foram alguns Punks
 > que
 > depois não foram encontrados e que não sabemos sequer os nomes (A
 > eles
 > e a todos os punks que atuaram com muita sabedoria no evento contra
 > a
 > ALCA fica minha profunda solidariedade e o desejo de aprender com
 > estes
 > a arte da resistência pacífica porém enérgica).
 > Os punks levaram Y para o vão livre do MASP e ela parecia segura
 > lá,
 > então, estes grandes companheiros Punks voltaram ao combate sem
 > saber
 > que alí no vão livre a amiga ia sofrer uma vez mais a violência
 > policial apanhando muito embora estivesse ferida e não tivesse como
 > se
 > defender. Episódio revoltante!
 > Temos ainda informação de que o quebra-quebra em um Mc Donald foi
 > iniciado por policiais tentando prender punks e que esta atitude
 > foi
 > estranha, como se eles tivessem ordem pra quebrar o lugar culpando
 > assim os manifestantes...
 > Muit@s amig@s foram pisotead@s na fuga. E não há quem não tenha
 > algum
 > machucado pra mostrar. Há quem enfraqueça agora dizendo que não vai
 >
 > mais a manifestações na paulista, tem medo, e isso é um problema
 > porque
 > enfraquece nossos movimentos.
 > Precisamos rever muitas coisas, inclusive as práticas de ação
 > direta
 > vindas dos EUA e d Europa que não funcionam onde o policial é
 > inescrupuloso e tem ordem de ferir qualquer pessoa que vier pela
 > frente. Aqui não dá pra brincar de polícia e Ladrão, alguém pode
 > desaparecer para sempre nas garras dos defensores do estado.
 > Há o relato de pessoas que estavam passando e apanharam também, o
 > que
 > mostra que os insanos não tinham nenhuma lógica a não ser descer o
 > cacete pra todo o lado e fazer um show de terror para intimidar
 > aqueles
 > que vão contra o Estado, a Propriedade, a dominação de uns por
 > outros.
 > A luta ainda está só começando e este é um começo tímido.
 > Todo o apoio aos punks que figuram em todos os relatos como aqueles
 > que
 > souberam agir diante da brutalidade. Houve quem dissesse que eles
 > enfrentavam os policiais tão vivamente e sem medo que faziam os
 > Meganhas relutar em avançar. 'Há uma arte punk que intimida os
 > Monstros
 > e isso deve ser ensinado aos demais manifestantes. Obrigado mais
 > uma
 > vez aos punks!
 > Saudações Libertárias
 >
 > Pedro
 >
 > São Paulo, 22 de abril de 2001 no maldito calendário cristão.
 >
 >
 >
 >

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